Como já mencionado no tópico Endocrinologia Feminina climatério e menopausa não são sinônimos! O climatério é definido como o período que compreende a mudança da etapa reprodutiva para a não reprodutiva no corpo feminino. Já a menopausa é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a parada permanente dos ciclos menstruais que decorre da perda da função ovulatória (ou seja, os ovários param de funcionar).

Ambas as situações podem ocasionar sinais e sintomas, decorrentes das flutuações hormonais ou mesmo da falência ovariana completa.

Entendendo os hormônios

Na menopausa ocorre a falência ovariana, que deixa de produzir hormônios como estrogênio, progesterona e mesmo andrógenos. Mas qual a importância desses hormônios?

Os estrogênios promovem a proliferação do endométrio, estimulam o crescimento e a diferenciação do epitélio dos ductos mamários, reduzem o colesterol total e o colesterol ruim (LDL), aumentam o colesterol bom (HDL), mas aumentam também os triglicerídeos. Os estrogênios regulam, ainda, a expressão hepática dos genes envolvidos na coagulação, possuem ações em neurotransmissores, e têm grande importância na proteção óssea, pois inibem a reabsorção óssea, promovem a maturação e conservam a massa óssea, evitando o surgimento de osteoporose primária.

Já a progesterona tem sua principal importância em preparar o trato reprodutor da mulher para o início e manutenção da gravidez. Prepara o endométrio para receber o “embrião” e estimula o desenvolvimento mamário. Por isso, no período que antecede a menstruação, as mulheres tendem a apresentar aumento das mamas.

Os andrógenos, a exemplo da testosterona, são produzidos em pequenas quantidades pelos ovários femininos e também pelas adrenais. São convertidos a estradiol, mas também possuem efeito na libido feminina. No entanto, mesmo que ocorra a menopausa, as glândulas adrenais continuam a produzir os andrógenos na mulher.

Benefícios da reposição hormonal feminina

Agora que você já sabe os principais efeitos dos hormônios femininos, fica fácil entender os principais benefícios da Terapia de Reposição Hormonal (TRH) feminina, quando bem indicada.

A TRH feminina deve ser discutida com o Endocrinologista ou Ginecologista de confiança e avaliada caso a caso. Algumas mulheres não devem fazer esse tipo de reposição como iremos discutir mais a frente.

Redução dos sintomas vasomotores

Na menopausa, os sintomas vasomotores, principalmente os “fogachos”, são os mais frequentes. Acredita-se que possui relação com neurotransmissores, sendo a diminuição do estrogênio responsável por maior liberação de GnRh (hormônio produzido pelo hipotálamo) e uma perturbação do equilíbrio térmico. A TRH promove melhora das ondas de calor, bem como de outros sintomas como palpitações, ansiedade, tremores e insônia.

Diminuição do risco de osteoporose

Como já dito, o estrogênio tem papel essencial na manutenção da massa óssea, pois inibe a reabsorção do osso. Após a menopausa ocorre, portanto, perda de massa óssea, o que aumenta o risco de osteoporose. A terapia de reposição hormonal feminina é eficaz em reduzir o risco de osteoporose e ainda, de melhorar a densidade mineral óssea, reduzindo a chance de fraturas.

Melhora de sintomas depressivos

É muito frequente encontrar pacientes que experimentam as sensações de ansiedade e depressão no período da menopausa. A reposição hormonal com estrogênio poderá contribuir para que a mulher não sofra com esses sintomas, aumentando a sensação de bem-estar. Em alguns casos, mesmo com a reposição do estrogênio ainda é preciso acompanhar os sinais de depressão e tratá-los corretamente.

Melhora da qualidade do sono

A mudança hormonal da menopausa tende a ocasionar insônia em muitas mulheres, principalmente por causa do sintoma de calor excessivo que também pode se manifestar durante a noite. A TRH feminina pode ajudar a melhorar a qualidade do sono em mulheres pós-menopausa.

Tipos de TRH feminina

O principal hormônio da TRH feminina é o estrogênio, pois é a sua ausência a principal responsável pelos sinais e sintomas da menopausa. No entanto, em mulheres que possuem útero, é necessário fazer a TRH combinada, isto é, com estrogênio e progesterona. Isso porque o estrogênio leva ao espessamento do endométrio e a progesterona irá atuar promovendo sua descamação, protegendo o útero feminino do câncer endometrial.

Temos, então, dois tipos de TRH feminina:

  • TRH com estrógeno isolado (para mulheres sem útero);
  • TRH combinada com estrógeno + progesterona (para mulheres com útero).

Além disso, podemos subdividir a TRH feminina conforme a forma de administração:

  • TRH oral (com comprimidos);
  • TRH tópica (com gel de estrogênio).

Existem diferenças importantes entre a TRH oral e tópica, sendo a principal diferença a passagem hepática da TRH oral, o que pode trazer efeitos adversos específicos. Poderemos discutir um pouco mais sobre isso em um outro momento.

Efeitos adversos

Assim como ocorre com qualquer tratamento medicamentoso, a TRH feminina também pode trazer efeitos adversos, que precisam ser discutidos e acompanhados pelo seu médico Endocrinologista e/ou Ginecologista.

Os efeitos colaterais mais comuns da reposição hormonal feminina são associados principalmente com a reposição da progesterona e incluem: dores de cabeça, enjoos e dores nas mamas.

Contraindicações

Antes de iniciar a TRH feminina, o médico deverá colher uma anamnese detalhada, buscando informações sobre a história familiar e pessoal de algumas doenças, as quais podem ser contraindicações para a realização da TRH.

Para uma TRH segura é fundamental avaliar se a paciente possui alguma contraindicação, as quais incluem:

  • História pessoal de câncer de mama (a história familiar não é uma contra-indicação);
  • História pessoal de câncer de endométrio;
  • Sangramento genital não investigado (é necessário afastar câncer de endométrio);
  • Trombose venosa profunda aguda;
  • Doença hepática aguda e/ou grave;
  • Cardiopatia grave;
  • Hipertensão arterial não tratada (após o tratamento adequado é possível fazer uma TRH segura).

A terapia de reposição hormonal feminina não é obrigatória, sendo algo que precisa ser analisado e discutido entre você e seu Endocrinologista ou Ginecologista.

Essa decisão deverá se basear em fatores como: indicação clara da TRH (presença de sintomas significativos), ausência de contraindicações e o tempo desde o início dos sintomas (quanto mais precoce for a TRH, maiores são os benefícios e menores são os riscos).

Terapias alternativas

  • Tibolona: é um esteroide sintético aprovado para tratar os sintomas menopausais. Devido a seu perfil androgênico, tibolona pode melhorar a libido e elevar os níveis séricos do colesterol ruim (LDL). Em alguns estudos, seu uso foi relacionado a maior risco para câncer de mama. Por isso, tibolona está contraindicada em mulheres com história dessa neoplasia. Outros inconvenientes da tibolona são ganho de peso e diminuição do colesterol bom (HDL).
  • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina/noradrenalina: Na presença de contraindicações para a TRH feminina, medicamentos não hormonais podem ser utilizados para alívio dos sintomas e melhora na qualidade de vida. Nesse contexto, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina/noradrenalina vêm sendo estudados, sendo os mais utilizados a paroxetina, a fluoxetina e a venlafaxina.

Lembre-se que qualquer medicação, seja ela hormonal ou não, só deve ser utilizada com prescrição médica, devendo ser acompanhados periodicamente os benefícios e os efeitos adversos do tratamento prescrito.